quarta-feira, 22 de julho de 2009

Engano.

Sob o olhar cúmplice dos livros
O poeta aclama a nova ideia,
Em palco escuro e ermo, tão dele,
Perante a frigidez da plateia.
Cheio de si, galga o tempo
E também a própria imagem,
Permeia as velhas andanças
De feição hostil e selvagem.
Avesso à voz alheia,
Ao presente grego da tolice,
Faz de um sonho matéria escrita
Aquilo a que chamam pieguice.
Salve que o mundo segue,
Nada para, ninguém consente.
Não há aplauso, alívio mútuo,
É o mesmo novo novamente.
E o poeta segue seu ofício
Crendo em fazê-lo por vaidade,
Pois de inocente não avista
Que o verso é feito à humanidade.

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