Deus, o Criador,
Em sua completa onisciência,
Fez-nos filhos do amor
E também da incoerência.
Pois Aquele que tudo sabe
E que tudo pode ver,
Há de consentir que não acabe
O desejo nosso de nos perder.
Pois é que reina soberana
Desde o início do tempo,
Uma tal liberdade humana
Que lhe aponto por momento.
Única razão de todo mal,
De toda dor que se conhece,
Há de ser manobra inicial
P’ra sorte suja que o homem tece.
Mas não me torça tu o nariz
Quando aqui cair os olhos teus,
São apenas palavras de aprendiz
Que jamais quisera culpar a Deus.
Se por ventura este poema
Venha trazer-lhe tal juízo,
Que Deus encurte minha cena,
Lance-me fora ao paraíso.
Mas antes de julgado
Permita-me o porque destes versos:
Pois digo que não há culpado
E que apenas brincamos no universo.
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