Que essa noite me traga a dose incerta
Da bebida santa, o espesso fel,
Que me venha logo a solidão aberta,
Que me sejam os delírios todos em papel.
Cai-me bem a névoa calma,
O desejo em pêlo, proferido há tanto:
Observaste, olho nu, rebelde alma,
O céu, as estrelas, único manto.
Tão cedo foste, criatura atenta,
Previdente da mais impura ambição,
Que corrói a carne, percepção aumenta,
Desarticula o sentido, a oração.
Sejamos ambos mero artifício
Ao olhar da coruja, que prediz o medo,
Pois me encanta muito teu suplício
Que a mim também me veio cedo.
"tão cedo foste, criatura atenta..."
ResponderExcluirseria um ser? uma criação? um novo poema? uma canção? e assim jogaste mais alguns pontos de interrogação no ar. Fuga ou busca?
Somente mesmo a percepção sensível do olhar da coruja que ao dia parece desmembrar a cegueira, ou talvez o medo? e a interrogação continua, somente vc caro poeta, artificio das palavras que te usam para jogar ao mundo as interrogações da "desarticulação dos sentidos e da oração"....